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Reconhecimento de tendências

06/12/2010

por Marcos Fernando de Barros Lima

Não é novidade que a ficção científica influencia nossa realidade. Quantos cientistas não foram formados graças aos livros de Júlio Verne e de H. G. Wells? Quantos não tentaram provar (ou desmentir) a possibilidade de realizar uma viagem à lua, de criar um veículo que pudesse submergir ou até mesmo cruzar a elusiva barreira do tempo?

Algumas dessas tecnologias sonhadas pela ficção receberam seu devido reconhecimento. Se compararmos o comunicador usado pelos tripulantes da Entreprise e o modelo de celular Star Tac, da Motorola, notaremos não as semelhanças entre o “Star Trek” e o “Star Tac” não se restringem apenas ao nome.

Algo realmente curioso de se identificar é o momento em que a ficção rompe a barreira da inspiração e se torna uma demanda de mercado.

Gibson inventando moda: a jaqueta Buzz Rickson’s usada por Cayce Pollard em 'Reconhecimento de Padrões'

Em seu romance Reconhecimento de Padrões, William Gibson descreve em detalhes a jaqueta da marca Buzz Rickson’s usada pela personagem principal, Cayce Pollard, cujo modelo MA-1 na cor preta era sua peça de vestuário predileta. Uma das peculiaridades desse fabricante é desenvolver réplicas perfeitas de uniformes do exército norte-americano, considerando o mesmo rigor de controle de qualidade, além da fidelidade estética.

Logo depois de lançado, o livro tornou-se um sucesso, e a legião de fãs de Gibson passou a se interessar por tal peça. Mas havia um grande inconveniente: embora a marca Buzz Rickson’s realmente existisse e contasse  com um variado catálogo de jaquetas, a MA-1 preta não fazia parte dele – o modelo jamais existira.

Este fato, aparentemente irrelevante, não desencorajou os leitores de Gibson, que insistentemente entravam em contato com a fabricante em busca do referido modelo. Diante disso, a Buzz Rickson’s entrou em contato com William Gibson e, juntos, desenvolveram em 2003 a inédita MA-1 preta, diretamente das décadas de 1940 e 1950.

E isso foi só o início. A partir de então, ele passou a criar outras peças para a marca e hoje assina uma coleção que leva o seu nome.

O também autor cyberpunk e colega de Gibson, Bruce Sterling, disse em sua passagem pelo Brasil na semana passada , que a verdadeira marca de um bom escritor de ficção científica é causar impacto em áreas que, aparentemente, não possuem relação com a literatura ou com a ciência. Ora, se aceitarmos esta máxima, William Gibson é um autor de mão cheia.

Fique de olho:

*No primeiro semestre de 2011, a Aleph lancará The Difference Engine, de William Gibson e Bruce Sterling.

* Leia a entrevista com Bruce Sterling no Link dessa segunda-feira: O PC morreu e ninguém percebeu

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2 Comentários leave one →
  1. 16/12/2010 7:38 pm

    Isso é o mais incrível da ficção, quando ela vira verdade, e também é o incrível de ler livros hoje em dia, a capacidade de irmos a fundo nas referências, sedimentando com camadas de novas informações cada detalhe contado pelo autor, que teve sua responsabilidade aumentada.
    Esse livro particularmente mexeu muito comigo, impossível resistir a se atirar no google atrás de todas as referências mencionadas, os correspondentes do mundo real, e trocar experiências com outros leitores durante a leitura.

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