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Muito além das areias de Arrakis

25/11/2011

– por Marcos Fernando de Barros Lima, Coordenador editorial

Toda vez que lemos uma história que transcende a tudo aquilo que já ousamos pensar, criamos por ela um apreço sem igual. Muitos livros conseguem nos deixar espantados, maravilhados, emocionados ou comovidos. Poucos nos marcam para sempre. Existem personagens e mundos que evocam uma qualidade mística e inebriante que, por vezes, nos levam a imergir em sua trama de forma absoluta. Quando temos de abandoná-los, sentimos que deixamos algo de nós para trás e que ganhamos novos horizontes, percepções e vislumbres de coisas que não havíamos notado antes.

Frank Herbert faz isto, e muito mais, em Duna. Conseguimos perceber o drama de Muad’Dib, o super-homem nietzschiano (não confundir com aquele de roupa azul e capa vermelha!), envolvido em ardis que vão além do tempo e das organizações, num destino que supera vontades, desejos e ambições. Além dele, os personagens que o acompanham, muito longe de serem secundários, dão profundidade e propósito à narrativa, unindo todos os elos de uma trama intrincada e fascinante.

O texto é detalhado, elegante e inventivo. Herbert não hesita em utilizar neologismos como “dagacris”, “trajestilador” e “armalês”, não para simplesmente inventar novas gírias, mas sim baseando-se na corruptela do uso contínuo dessas palavras (quem hoje ainda fala “vossa mercê” ou “vosmecê”? Até mesmo o “você” está caindo em desuso para o “vc”). Quando o autor quer inventar alguma palavra, baseia-se em vários idiomas, criando uma língua idiossincrática com expressões como “Kull wahad!” e “Shai-hulud”.

Mas a cultura do universo de Duna não se restringe ao comportamento e à fala dos povos que conhecemos em Arrakis. Há uma história densa e cheia de referências políticas e religiosas para consolidar os fatos e acontecimentos. Temos os zen-sunitas, evocando doutrinas místicas, o Imperium e seu regime feudal, dividindo os planetas entre as várias casas nobres e até mesmo a Bíblia Católica de Orange (uma curiosa unificação das tradições católicas e das ideias protestantes de William de Orange).

Ainda assim, após elencar tantos aspectos e facetas dessa obra-prima de Frank Herbert, não é possível transmitir todo o fascínio que a leitura de Duna proporciona. Deixemos que a obra fale por si só. Fica o desafio: aventure-se pelas areias de Arrakis e saia de lá a mesma pessoa.

> Leia um trecho do livro

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6 Comentários leave one →
  1. 25/11/2011 7:58 pm

    Seu texto me deixou com mais vontade começar logo a ler o livro!

  2. Wesley permalink
    25/11/2011 9:05 pm

    Eu costumava recomendar Duna para meus amigos, mas parei, afinal de contas, não temos nem sinal de que sairão os outros volumes da série, né? E as edições antigas são difíceis de achar… Ninguém quer ler uma história que vai parar no meio.

  3. 25/11/2011 9:18 pm

    Duna é um livro fundamental. Viva a Aleph por resgatar este e outros clássicos da Sci-fi, há anos sem publicação no Brasil.

  4. Túlio permalink
    27/11/2011 3:17 am

    Ainda esperando pelo proximo livro da saga!!!

  5. Victor H. permalink
    30/11/2011 8:59 pm

    Comprei no lançamento e cometi a heresia de só ler 3 mêses depois. Excelente livro, mesmo não sendo o meu tipo de ficção científica.

  6. Paulo Salgueiro permalink
    01/12/2011 3:19 pm

    Eu já havia assistido ao filme de David Lynch e à mini-série que passou na Rede TV em 2006, e estava procurando este livro há anos, até encontrá-lo pela Aleph na Internet. O Livro superou todas as minhas expectativas, é a melhor coisa que eu já li. Acho até que George Lucas se inspirou em Duna para criar a mitologia dos Cavaleiros Jedi em Star Wars. Agora, por favor, façam o favor de publicar os outros livros da série, que não aguento mais esperar.

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