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A ficção científica pode ser um excelente laboratório filosófico e social

27/06/2012

Por Raphael Fernandes e Marcos Fernando de Barros Silva

Muitos livros deste gênero literário se destacam pela capacidade de prever tendências e até mesmo de inspirar algumas evoluções tecnológicas. No entanto, as obras que se tornam verdadeiros clássicos são aquelas que vão muito além, utilizando de total liberdade para experimentar novas concepções psicológicas, filosóficas, sociais e metafísicas.

“O Fim da Infância” é um ótimo exemplo. Nele, Arthur C. Clarke constrói uma narrativa que não é focada em um grupo de personagens; pelo contrário, o autor acaba transformando toda a humanidade em sua personagem principal.  No livro, o planeta Terra é invadido por uma misteriosa raça de alienígenas que passa a guiar nossas ações, ainda que à distância, sem se revelar aos nossos olhos. Aquiescendo aos conselhos que nos são oferecidos, somos capazes de alcançar o que, sozinhos, dificilmente conseguiríamos: acabar com a fome, as guerras e os crimes. Os “invasores” disponibilizam e propiciam diversos avanços tecnológicos que ajudam a humanidade a acabar com trabalhos braçais e crises energéticas; em contrapartida, proíbem nossas tentativas de exploração espacial.

Num primeiro momento esta trama pode parecer simples, com um desenvolvimento demasiado lento. Entretanto a história prova estar repleta de incríveis reviravoltas, envolvendo o leitor em uma aura de mistério a cada capítulo. Quando você se acostuma com o universo que está se formando naquelas páginas, Clarke quebra totalmente suas expectativas com ideias ainda mais ousadas.

Os questionamentos filosóficos e sociais não passam desapercebidos. São lançadas com maestria pelo autor através das dúvidas e incertezas que a humanidade passa a enfrentar nesse mundo “utópico”. A evolução de nossa raça segue por caminhos fantásticos, esbarrando em questões existencialistas que abririam muitas vias as quais muitos filósofos gostariam discutir.

Com um final surpreendente, estarrecedor e simplesmente genial, nos vemos lendo e relendo as últimas páginas para ter certeza de que não perdemos nenhum detalhe do desfecho de um plano traçado com esmero não por uma raça de alienígenas de um planeta longínquo. Por um humano, um inglês chamado Arthur C. Clarke.

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One Comment leave one →
  1. Paulo Salgueiro permalink
    30/06/2012 3:47 pm

    Bom livro. Neste livro Arthur C. Clarke explora o seu tema preferido, a relação da humanidade terrestre com uma superinteligência extraterrestre, como aconteceu em Uma Odisséia no Espaço.

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